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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Como Coisa? Ou como Filho?


Nos dias atuais, ainda nos deparamos com pessoas que possuem a seguinte dúvida: “Cantamos ‘como coisa’ ou ‘como filho’ na Oração de Consagração a Nossa Senhora?”. E, para poder tirar a minha dúvida e talvez a de muitos, resolvi fazer uma pesquisa sobre o assunto e descobri fatos chaves e importantes que poderão auxiliar a todos.
A oração de Consagração à Nossa Senhora no original em Latim é:
“O DOMINA mea! O Mater mea! Tibi me totum offero, atque, ut me tibi probem devotum, consecro tibi [hodie*] oculos meos, aures meas, os meum, cor meum, plane me totum. Quoniam itaque tuus sum, o bona Mater, serva me, defende me ut rem ac possessionem tuam. Amen”. Preces Latinae
Ao pé da letra seria mais ou menos assim:
“Ó Senhora minha! Ó Mãe minha! A vós todo me ofereço, e, para provar que vos sou devoto, consagro-vos hoje meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração, eu todo inteiramente. E porque sou vosso, ó boa Mãe, guardai-me, defendei-me como coisa e propriedade vossa. Amém”.
Observação: REM é o substantivo feminino latino RES no caso acusativo. E pode significar coisa, evento, negócio, assunto, propriedade, fato. Na oração, portanto, a tradução COISA é correta.
É engraçado o quanto queremos ganhar espaço. Ninguém quer ser tratado como coisa. O próprio Jesus que poderia ter se declarado rei e pedir tratamento especial, se colocou pequeno e como servo. Nós fazemos justamente o contrário. Somos apenas coisa e já nos colocamos como filhos “exigindo” nossos direitos, nossa herança.
Confesso que eu não compreendia essa parte da oração. Eu queria ser tratado como filho de Nossa Senhora e não como coisa. Até que um dia me contaram que a mãe de um amigo sempre ensinou a ele que essa oração havia sido feita pelo coração puro e simples de uma criança. Desse modo, só é possível vivermos essa oração com o coração semelhante ao de uma criança.
“Coisa” é um objeto que o dono coloca onde quer e faz o que quer com ele. O objeto fica ali estático, aguardando o proprietário decidir o que fará. Já o filho não. Já o filho, quando criança, precisa e quer o colo da mãe. A medida que cresce, tem momentos de desobediência, de querer fazer seus desejos, até o dia em que se torna adulto, sai de casa e realiza suas próprias vontades. Passa a ser o “dono do seu nariz”.

Um pouquinho de história: como surgiu o Canto e a Oração de Consagração.

As citações a seguir foram retiradas do livro “Viver da Fé”, escrito por Pe. Kentenich. Essa oração é atribuída a um Padre Jesuíta, chamado Zuchi. Aos dez anos de idade, perdeu sua mãe. Levado por profundo impulso religioso raciocinou nestes termos: “Não tenho mais mãe terrena. Que farei? Sem mãe não poderei viver. Consagrar-me-ei por isso a mãe de Deus, far-me-ei total e inteiramente dependente dela. Compôs a oraçãozinha, escrevendo-a com sangue, é a oraçãozinha conhecida por todos”.
Com idade avançada, Padre Zuchi, antes de morrer, colocou o ponto final em sua consagração, confessando solenemente o seguinte:
“Esforcei-me para viver esta consagração e com suma gratidão, tenho de testemunhar frente à mãe de Deus, ter-me Ela livrado, durante toda a vida do pecado grave. Ela de fato agiu comigo como sua possessão e propriedade. Agora posso partir para a felicidade eterna para contemplá-la e nela ser propriedade de Deus eterno por toda a eternidade”.
Como se pode perceber, Pe. Zucchi se consagrou a Nossa Senhora de tal forma que ele se tornou sua propriedade. Pesquisando no dicionário a palavra propriedade, um dos sentidos encontrados é “o direito pelo qual uma coisa pertence a alguém”. Por sua vez, coisa é algo de que se tem a posse. Aos se declarar de propriedade de Nossa Senhora, Pe. Zucchi assume a condição de coisa. Ora, filhos de Deus e de Nossa Senhora, todos nós somos, sem necessidade alguma de consagração especial para isso.
Com tudo isso, o sentido de ser coisa, presente na oração, está correto. Assim, não há motivo ou justificativa para adulterar a oração original. O filho, por mais que ame seus pais, é sempre livre para discordar com eles e de fazer por si mesmo suas ações. Quando nos colocamos nas mãos de Deus e de Maria como coisa e propriedade, abrimos mão desse direito de liberdade para sermos instrumentos, coisas das quais Deus e Maria podem usar como lhes bem aprouver para a santificação e conversão do mundo.
Assim, nos colocamos como instrumentos nas mãos de Maria para colaborar com Ela no plano de salvação de seu Divino Filho. Não deixamos, com isso, de sermos Filhos de Deus e de Maria, mas doamo-nos de modo pleno a Eles para sermos usados como instrumentos.
Vendo desta forma, você escolhe ser COISA ou FILHO de Nossa Senhora?
Eu quero ser COISA e, para tanto, procedo a seguinte oração:
“Prudentíssima Mãe, queremos ser coisa e propriedade Vossa! Queremos que você interceda e decida junto a Jesus o rumo das nossas vidas e nos ensine a fazer não nossas vontades, mas, a Santa Vontade de seu Filho. Amém”.


Fontes:
  • Daniele Cadête – Consagrada da Comunidade Obra de Maria – Missão Brasília – DF
  • Luiz Augusto – membor da ARS – Associação Redemptionis Sacramentum
  • Pe. Carlos Cesar Candido – Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida – Campo Mourão – PR
  • Livro Viver da Fé – Pe. Kentenich
Por Jair Ortega - Grupo de Oração e PASCOM - NSL
http://www.lourdesalpha.com.br/artigos/como-coisa-ou-como-filho/

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Oração a Nossa Senhora para conhecer a própria vocação

Sua melhor companhia neste mês das vocações



Eis-me a vossos pés, ó piedosa Virgem
para implorar de Vós a importantíssima graça
da escolha da minha vocação.

Outra coisa não quero
senão cumprir perfeitamente
a vontade de vosso Divino Filho,
em todo o tempo da minha vida.

Desejo ardentemente
escolher a vocação
que me há de deixar mais satisfeito
no momento da minha morte.

Ó Mãe do Bom Conselho,
fazei que soe aos meus ouvidos
uma voz que afaste toda a dúvida
da minha mente.

A Vós, que sois a Mãe do meu Salvador,
também cabe ser a Mãe da minha salvação.
Porque se Vós, Ó Maria,
não me comunicais um raio do Sol divino,
que luz me há de esclarecer?

Se Vós não me instruís,
ó Mãe da Sabedoria Encarnada,
quem poderá ensinar-me?

Ouvi pois, ó Maria,
as minhas humildes súplicas.
Perplexo e vacilante, dirigi-me Vós,
guiai-me pelo reto caminho
que conduz à vida eterna,
pois que sois Vós a Mãe do belo amor,
do temor, do conhecimento e da santa esperança,
cujas flores produzem frutos de honestidade e honra.
Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

Fonte: www.aleteia.org

segunda-feira, 27 de abril de 2015

É verdade que Nossa Senhora “desce” ao purgatório para resgatar almas?

Para entender a resposta, é preciso primeiro compreender bem o que é (e o que não é) o purgatório


Pergunta
 
Ouvi dizer que Maria Santíssima desce ao purgatório para libertar as almas e levá-las ao céu, onde está nosso Senhor Jesus. Eu gostaria de saber qual é a postura da Igreja a respeito disso.
 
Resposta
 
Antes de responder à pergunta, é preciso recordar que a dimensão do purgatório é doutrina comum da Igreja, que não o interpreta necessariamente como um lugar, e sim como uma oportunidade de purificaçãopost mortem e, portanto, como um dom da misericórdia divina.
 
Para que isso fique claro, é preciso recordar que o purgatório não é uma doutrina da Idade Média: temos testemunhos muito antigos de oração em sufrágio e pela purificação dos defuntos que dão testemunho dessa crença. Por exemplo, algumas lápides, desde os séculos III-IV, pedem orações pelo defunto e invocam sua purificação, assim como as liturgias fúnebres de sufrágio e as orações privadas pelos defuntos são testemunhadas pelos Padres da Igreja desde o século III (por exemplo, Tertuliano).
 
O primeiro texto que oferece uma doutrina do purgatório mais elaborada é o “Prognosticon futuri saeculi”, de São Juliano de Toledo (escrito entre os anos 687 e 688), o qual, com a expressão “ignis purgatorius” (livro II, c. 20-23), descreve uma perspectiva “purgante mediante fogo”. Trata-se de uma descrição que permite conceber o purgatório como um lugar, mas isso acontece pela limitação da nossa linguagem.
 
Na realidade, o que é essencial no texto é a obra de purificação das almas que, após sobreviver à morte do corpo, esperam tanto a purificação como a ressurreição no final dos tempos. Obviamente, a ideia do fogo provém da Bíblia: Livro da Sabedoria 3, 6 (foram provados como ouro na fornalha) e Eclesiástico 2, 5 (é pelo fogo que se provam o ouro e a prata, e os homens justos, na fornalha da dor).
 
Sobre o purgatório como lugar, os cristãos não católicos teriam muito a dizer. Na verdade, se o consideramos como uma dimensão de purificação misericordiosa, encontramos um maior consenso por parte das diversas confissões cristãs, sobretudo com os ortodoxos.
 
Em todo caso, de São Juliano em adiante, a Igreja falou pelo menos duas vezes e oficialmente sobre o purgatório. A primeira vez com a constituição “Benedictus Deus”, do Papa Bento XII (29 de janeiro de 1336); a segunda, com a “Carta sobre algumas questões relativas à escatologia”, da Congregação para a Doutrina da Fé (1979).
 
Portanto, a Igreja afirma com certeza a sobrevivência da alma à morte do corpo, como também um ato misericordioso de purificação oferecido às almas que dela precisam antes da visão beatífica. Isso não acontece necessariamente em um lugar: o espaço e o tempo são categorias humanas que não sabemos se são pertinentes para falar da realidade pós-morte.
 
Afirmar que a Virgem Maria desce ao purgatório para “libertar” as almas e levá-las ao Paraíso é contrário a um aspecto do segundo texto citado, porque, neste caso, a purificação seria vista como uma prisão e um castigo, quando, na realidade, o purgatório é algo totalmente diferente.
 
A purificação não tem uma característica de castigo, ainda que sua experiência comporte a pena do não acesso à visão de Deus, mas não devemos pensar que ela constitui um sofrimento; portanto, sua conclusão não deve ser consequência de uma libertação, e sim de uma festa: in primis a festa do encontro com Cristo.
 
Então, nem sempre nossas crenças devocionais refletem plenamente o ensinamento da Igreja; neste caso, se considerarmos a purificação como um castigo, acabaremos ofuscando o aspecto misericordioso da oferta de uma oportunidade de purificação das almas por parte de Deus.
 
Envolver Nossa Senhora nesta obra de misericórdia baseada diretamente no mistério de Cristo morto, ressuscitado, ascendido ao céu e glorificado não é estritamente necessário, mas somente na medida em que Ela for oportunamente associada ao destino do seu Filho.
 
Sem tirar o mérito de Maria, esta devoção popular corre o risco de exaltá-la exageradamente com resultados contraproducentes: neste caso, poderia ofuscar-se a presença de Cristo na misericórdia da purificação, centrada no mistério pascal do Senhor; além disso, passaria a um segundo plano a dinâmica trinitária em que consiste o acesso à plena comunhão com Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo.

Fonte: www.aleteia.org.br

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O PODER DA AVE MARIA


Milhões dos católicos rezam frequentemente a Ave Maria. Alguns repetem-na depressa, nem mesmo pensando nas palavras que estão dizendo.

Este artigo poderá ajudá-lo a recitá-la mais pensativamente.

- Podem dar grande alegria à Mãe de Deus para se obter as graças que ela deseja.

- Uma Ave Maria bem rezada enche o coração de Nossa Senhora com alegria e  nos concede grandes graças. Uma Ave Maria bem recitada dá-nos mais graças que mil rezadas sem reflexão.

- A Ave Maria é como uma mina de ouro da qual nós podemos sempre extrair e nunca se esgota. É difícil rezar a Ave Maria? Tudo o que temos que fazer é saber seu valor e compreender seu significado.

S. Jerônimo nos diz que “as verdades contidas no Ave Maria são tão sublimes, tão maravilhosas, que nenhum homem ou anjo poderiam compreendê-las inteiramente.”

S. Tomás de Aquino, príncipe dos teólogos, “o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios”, como Leo XIII o chamou, pregou o Ave Maria por 40 dias em Roma, enchendo os corações de êxtase.

Pe. F. Suárez, o santo e erudito jesuita, declarou que ao morrer dispostamente daria todos os livros que escreveu, todas as obras de sua vida, pelo mérito de uma só Ave Maria rezada devotamente.

S. Matilde, que amava muito Nossa Senhora, certo dia estava se esforçando
para compor uma bela oração em sua honra. Nossa Senhora apareceu-lhe, com as letras douradas em seu peito: “Ave Maria, cheia de graça.” Disse-lhe: “Desista, minha filha, de seu trabalho, pois nenhuma oração que talvez você pudesse compor dar-me-ia a alegria e o prazer da Ave Maria.”

- Um certo homem encontrou a alegria em orar lentamente a Ave Maria. A bendita Virgem em troca apareceu-lhe sorrindo e anunciando-lhe o dia e hora de sua morte, concedendo-lhe uma santa e feliz. Depois de sua morte, um lírio branco cresceu de sua boca e escrito em suas pétalas: “Ave Maria.”

- Cesário descreve um incidente similar. Um santo e humilde monge viveu no monastério. Sua mente e memória estavam tão fracas que ele somente podia repetir uma oração, que era a Ave Maria. Depois de sua morte uma árvore cresceu sobre sua sepultura e em todas suas folhas estava escrito: “Ave Maria”.

Estas belas histórias nos mostram quantas devoções há para Nossa Senhora, e o poder atribuído à Ave Maria rezada devotamente. Cada vez que dizemos a Ave Maria repetimos as mesmas palavras com que o arcanjo Gabriel saudou Maria no dia da Anunciação, quando ela se tornou a Mãe do Filho de Deus.
Muitas graças e alegrias encheram a alma de Maria naquele momento.

Quando oramos o Ave Maria ofertamos novamente essas graças e alegrias à Nossa Senhora e ela os aceita com imenso prazer. Em troca ela nos dá uma ação dessas alegrias.

Certa vez Nosso Senhor pediu a S. Francisco que lhe desse algo. O santo respondeu: “Querido Senhor, eu não posso lhe dar nada que eu já não lhe dei, todo meu amor”.
Jesus sorriu e disse: “Francisco, dê-me tudo de novo e de novo e irá dar-me  o mesmo prazer”.

Da mesma forma nossa querida Mãe aceita cada vez que oramos o Ave Maria e  recebe as alegrias e prazer que ela teve das palavras de S. Gabriel.
Deus Todo-poderoso deu a Sua Bendita Mãe toda a dignidade, grandeza e santidade necessária para torná-la perfeita para ser sua Mãe.
Mas Ele também lhe deu toda a doçura, amor, brandura e afeto necessário para  fazê-la também nossa querida Mãe. Maria é realmente nossa Mãe.
Assim como os filhos se dirigem às suas mães para pedir ajuda, da mesma forma deveríamos ir com a mesma confiança ilimitada a Maria.

S.Bernardo e muitos Santos disseram que nunca ouviram falar em qualquer tempo ou lugar que Maria se recusou a ouvir as orações de seus filhos na Terra.
Por que não percebemos estas consoladoras verdades? Por que recusar o amor e  consolação que a doce Mãe de Deus nos oferece?
É nossa lamentáve a nossa ignorância lamentável que nos priva desta ajuda e consolação.

Amar e confiar em Maria é ser feliz agora na Terra e depois feliz no céu.  O dr.Hugh Lammer foi um dedicado protestante, com forte ódio contra a Igreja Católica.  Um dia ele encontrou uma explicação da Ave Maria e começou a lê-la. Ele ficou tão encantado com ela que começou a rezá-la diariamente. Insensivelmente, toda a sua animosidade anti-católica começou a desaparecer. Ele se tornou um bom católico, um santo padre e um professor de Teologia Católica em Breslau.


Chamaram um sacerdote ao lado de cama de um homem que morria no desespero  por causa dos seus pecados. O homem recusava se confessar. Como um recurso último o sacerdote pediu-o a orar pelo menos a Ave Maria. Logo após, o pobre homem fez uma confissão sincera e morreu uma morte santa.

Na Inglaterra, perguntaram a um sacerdote da paróquia se poderia ver uma senhora protestante que estava gravemente doente, e que desejava se tornar católica.  Perguntado se alguma vez ela já tinha ido à Igreja Católica ou se ela tinha falado com católicos, ou se ela tinha lido livros Católicos, ela respondeu: “não”. Tudo o que ela podia lembrar era que, uma amiga lhe ensinou o Ave Maria, o qual ela rezava toda noite. Ela foi batizada e, antes de morrer, teve a felicidade de ver seu marido e filhos batizados.

S. Gertrudes diz-nos no seu livro “Revelações” que quando nós agradecemos a Deus pelas as graças que Ele deu a qualquer Santo, tornamo-nos participantes daquelas determinadas graças.
Que graças então não temos quando oramos o Ave Maria agradecendo a Deus por todas as inexprimíveis graças que Ele deu a Sua Bendita Mãe?

“Uma Ave Maria dita sem sensível fervor,mas com um puro desejo em um tempo de aridez, tem muito mais valor à minha vista do que um Rosário inteiro no meio das consolações”. (Nossa Senhora a Ir. Benigna Consolata Ferrero)


Fonte: http://www.bibliacatolica.com.br/

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

De onde vem a Oração da “Salve Rainha”?


A “Salve Rainha” é uma das orações mais populares entre os católicos. Ela é atribuída ao monge Hermannus Contractus que a teria escrito por volta de 1050, no mosteiro de Reichenan, na Alemanha. Eram tempos terríveis aqueles na Europa central, com muitas calamidades naturais, destruindo as colheitas, epidemias, miséria, fome e a ameaça contínua dos povos bárbaros normandos, magiares e muçulmnaos que invadiam os povoados, saqueando e matando.
Certamente o monge Hermannus experimentava as piores  misérias da vida humana neste “vale de lágrimas”, como disse. Nesta prece “bradamos” como “degredados”, “suspiramos gemendo e chorando”, vemos o mundo como “um vale de lágrimas”, como um “desterro”. Entretanto, essa visão da vida acaba num sentimento de esperança que a ultrapassa e domina com a confiança em Nossa Senhora.

Ao considerar a condição humana, o monge Hermannus via  muitos motivos de tristeza, mas, ao fixar sua atenção na Virgem Maria, Rainha do céu de da terra, a quem se dirige, mostra-se animado por um horizonte de expectativas reconfortantes e consoladoras, pois ela, a Virgem Maria, é “Mãe de misericórdia”, “Vida, doçura, esperança nossa salve”, “Advogada nossa”,  de “olhos misericordiosos”.

Frei Contractus tinha  consciência da triste época em que vivia, mas tinha outras razões, além disso tudo. Conta a sua históira que ele nasceu raquítico e disforme; adulto, mal conseguia andar e escrevia com dificuldade, de mirrados que eram os dedos das suas mãos. Nasceu em 18 de fevereiro de 1013 em Altshausen, na Swabia hoje Alemanha.

Nasceu com uma fenda no palato, e um problema de espinha bífida (dividida em lóbulos iguais). Seus pais não tinham condição de cuidarem da criança e em 1020 (com sete anos) o entregaram para a Abadia de Reichenau, onde ele ficou o resto de sua vida. Contam que, no dia do seu nascimento, ao constatarem o raquitismo e má formação do bebê, seus pais caíram em prantos. Sua mãe Miltreed, mulher muito piedosa, ergueu-se então do leito e, lá mesmo, consagrou o menino à Mãe de Deus. Consagrado a Ela, foi educado no amor e na confiança em relação a Ela. E, anos mais tarde, foi levado de maca, por ser deficiente físico, até o mosteiro de Reichenan, onde com o tempo chegou a ser mestre dos noviços, pois o que tinha de inapto seu corpo, tinha de perspicaz seu espírito.

Muito inteligente se tornou monge beneditino com a idade de 20 anos. Era um gênio, estudou e escreveu vários livros sobre astronomia, teologia, matemática, história e poesias em latim, grego e árabe. Professor aos 20 anos ficou conhecido pelos seus colegas na Europa.  Construiu alguns instrumentos musicais e equipamentos de astronomia. Ficou cego e com isso parou de escrever. É o mais notável poeta de seu tempo e ainda ficou  famoso ao escrever a oração da “Salve Rainha”e ainda o “Alma Redemporis Mater”. Faleceu em 21 de setembro de 1054 em Reichenau de causas naturais. Beatificado e culto confirmado em 1863. Sua festa é celebrada no dia 25 de setembro.
Foi no fundo de todas essas misérias, que a alma de Frei Contractus elevou à “Rainha dos Céus” esta prece, mescla de sofrimento e esperança, que é a “Salve Rainha”.

Quando veio a ser conhecida pelos fiéis, a “Salve Rainha” teve um sucesso enorme, e logo era rezada e cantada por toda parte. Um século mais tarde, ela foi cantada também na catedral de Espira, por ocasião de um encontro de personalidades importantes, entre elas, a do imperador Conrado e a do famoso São Bernardo, conhecido como o “cantor da Virgem Maria”, pelos incendidos louvores que lhe dedicava nos seus sermões e escritos, ele que foi um dos primeiros a chamá-la de “Nossa Senhora”.

Dizem que foi nesse dia e lugar que, ao concluir o canto da “Salve Rainha”, cujas últimas palavras eram “mostrai-nos Jesus, o bendito fruto do vosso ventre”, no silêncio que se seguiu, ouviu-se a voz potente de São Bernardo que, num arrebato de entusiasmo pela mãe do Senhor, gritou, sozinho, no meio da catedral: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce e sempre Virgem Maria”… E a partir dessa data estas palavras foram incorporadas à “Salve Rainha” original.
Nos quase mil anos que se passaram desde que Herman Contractus compôs a “Salve Rainha” uma multidão incontável de fiéis tem se identificado como os sentimentos que ela expressa, vivendo desde sua aflição à doce esperança que inspira sempre a amável Mãe do Nosso Salvador.


Fonte: http://www.newadvent.org/cathen/07266a.htm;  http://www.cademeusanto.com.br/beato_hermancontractus.htm

terça-feira, 6 de maio de 2014

Maio, mês de Maria: confie sua família a Ela

Uma oportunidade especial de transformar seu lar em um lugar de encontro com o Senhor, graças à intercessão de Nossa Senhora


Durante o mês de maio, as famílias têm a oportunidade especial de transformar seu lar em um lugar de encontro com o Senhor, graças à intercessão de Nossa Senhora.
 
Sempre ouvimos as reclamações de pessoas que querem crescer na fé, estar mais perto de Jesus, mas não sabem como. É comum escutar: "Eu não sei rezar!", "Há muito barulho na minha casa, impossível rezar!".
 
Como fazer, então, para que a minha família viva na presença de Deus?
 
Terço que une
 
"Família que reza unida permanece unida", dizia São João Paulo II. Por isso, vale a pena intensificar a oração do terço em família durante este mês. Contemplando Jesus por meio da oração do terço, cada um dos membros da família recupera também a capacidade de voltar a olhar nos olhos, para comunicar-se, perdoar-se mutuamente e recomeçar com um pacto de amor renovado pelo Espírito Santo (cf. Rosarium Virginis Mariae, 41).
 
Virgem peregrina
 
A Virgem peregrina é uma imagem de Maria que visita as casas daqueles que se comprometem a recebê-la. Esta é uma oportunidade de aprender a ser discípulos de Cristo e de difundir a Boa Nova cada dia. Nossa Senhoraintercede pelas nossas necessidades e, ao fazer isso, Ela cumpre sua missão de nos educar e nos preparar para o encontro com o Senhor Jesus.
 
Consagração a Nossa Senhora
 
Finalmente, também existe a opção para aqueles que querem se consagrar a Maria. Esta consagração pode ser feita em família e renovada com frequência.
 
O mês de maio é um tempo propício para meditar sobre a bênção de ter Nossa Senhora entre nós, para colocar-nos em sua presença como família e, junto a Ela, aproximar-nos com amor de Jesus.
 
Estes três recursos são excelentes meios para manter-nos firmes na fé e em nossas tradições e valores, mas principalmente para fortalecer os vínculos familiares e centrar-nos no essencial: em Deus que é Amor.
 
Não tenhamos medo de nos aproximar de Jesus por meio de Nossa SenhoraMaria nos espera e nos diz: "Não tenha medo. Não estou eu aqui, que sou sua Mãe?".
 
(Artigo publicado originalmente por El Pueblo Católico)


*Fonte: Aleteia.org